Como Respirar para Cantar Bem (Aumente seu Fôlego)

Respiração alta e respiração baixa: qual a diferença

Antes de resolver qualquer problema de fôlego no canto, você precisa entender como funciona a respiração. Existem dois padrões principais: a respiração alta e a respiração baixa.

A respiração alta é aquela que você faz quando está sem fôlego depois de correr. Os ombros sobem, o pescoço tensiona, tudo se movimenta na parte superior do tórax. A respiração baixa é diferente: o movimento acontece nas costelas e no abdômen, na parte inferior do tórax.

No canto popular, o foco está na respiração intercostal, que é a expansão lateral das costelas. No canto erudito, é mais comum o foco na barriga. As duas formas estão corretas, mas para o popular, o movimento intercostal é o mais indicado.

Por que você precisa evitar a respiração alta

O ar não vai para os ombros. Isso é fato. Quando você levanta os ombros para respirar, não está captando mais ar. Está apenas tensionando a musculatura externa da laringe, o que os professores de canto chamam de musculatura extrínseca.

Essa tensão tem consequências diretas: você canta com rigidez, força mais a voz, sente dor na nuca enquanto canta e não consegue controlar o som com precisão. Para cantar bem, essa região precisa estar completamente relaxada.

Como treinar a respiração intercostal

O primeiro exercício serve para corrigir o padrão de respiração e ensinar o cérebro a movimentar o lugar certo.

Exercício 1: barriga para dentro

Coloque a barriga para dentro. Solte o ar primeiro. Depois, com a barriga mantida para dentro, puxe o ar. Coloque uma mão na lateral das costelas para sentir o movimento. Você vai perceber que, com a barriga contraída, as costelas se expandem lateralmente para dar espaço ao ar nos pulmões.

Solte o ar em som de S e repita o ciclo. Faça isso por pelo menos cinco minutos. Se sentir tontura, é normal: respirar fundo ativa mais oxigênio do que o habitual. Faça sentado ou em pé, o que for mais confortável.

Exercício 2: cinco pulsos e prolongamento

Com a barriga para dentro e a mão na lateral, solte o ar em cinco pulsos curtos de S e, no quinto, prolongue até o fim do fôlego. Repita várias vezes. O objetivo é condicionar a musculatura intercostal e registrar no cérebro o padrão correto de respiração.

Um ponto importante: você vai querer tensionar os ombros durante o exercício. Mantenha consciente o relaxamento dessa área. Se precisar, verifique no espelho se os ombros estão subindo.

Esses exercícios são para o treino diário, não para o momento em que você estiver cantando uma música. A ideia é que, depois de praticar por semanas, seu cérebro já tenha absorvido o novo padrão e você não precise pensar nisso durante a performance.

Respirar pela boca ou pelo nariz

Durante os exercícios, você pode respirar pelo nariz, porque há tempo suficiente para captar o ar com calma. Cantando, a respiração é pela boca. Não existe alternativa: o tempo entre frases é curto demais para captar ar suficiente pelo nariz. Boca e nariz ao mesmo tempo também funciona, mas a boca é o caminho principal enquanto você canta.

Por que o fôlego acaba antes do fim da frase

Quando o ar acaba cedo, quase sempre é por uma dessas duas causas: voz soprosa ou má administração do ar durante a música.

Causa 1: voz soprosa

A quantidade de ar que seus pulmões conseguem captar é suficiente para praticamente qualquer música popular. O problema, na maioria dos casos, não é a capacidade pulmonar. É o gasto excessivo de ar.

Se você canta com a voz soprosa, suas pregas vocais estão ligeiramente abertas na maior parte do tempo. Isso faz o ar vazar constantemente, mesmo nas notas em que você não precisaria de muito ar. O resultado é que você chega ao fim da frase sem reserva.

O correto é cantar com as pregas vocais mais fechadas, deixando passar só o ar necessário. A voz soprosa tem lugar em determinados momentos expressivos, mas quando ela é o padrão constante por falta de controle, está consumindo seu fôlego sem você perceber. Se quiser entender mais sobre o que afeta a qualidade da voz, vale ler sobre voz cansada e rouca e os exercícios para recuperá-la.

Causa 2: respirar nas horas erradas

O segundo problema é não planejar onde respirar na música. Iniciantes costumam respirar só quando o ar acaba, como se esperassem o tanque esvaziar completamente antes de abastecer. Isso é um erro de estratégia.

A solução é pegar a letra da música e marcar os pontos onde é possível respirar, antes de começar a treinar. Toda vez que houver uma pequena pausa natural na melodia ou na frase, esse é um ponto de respiração. Você não espera o ar acabar. Você respira quando tem espaço, mesmo que ainda tenha ar sobrando.

Esse exercício de marcação é para os primeiros meses. Com o tempo, o cérebro aprende os padrões e passa a identificar os momentos certos de respiração automaticamente, sem que você precise pensar nisso de forma consciente. Para aprofundar o treino diário de respiração, veja também exercícios de respiração para cantores com dez minutos sem parar.

Como treinar o controle do fôlego

Existe um exercício específico para treinar o cérebro a controlar o fluxo de ar pelas pregas vocais. Puxe um volume saudável de ar, sem encher o pulmão ao máximo porque isso gera tensão. Depois, conte em voz alta de 1 até onde conseguir, pensando que não está soltando ar.

Na prática, você está soltando ar, porque sem ar não há voz. Mas a intenção de segurar faz com que as pregas vocais trabalhem mais fechadas, dosando a saída do ar. Esse é exatamente o controle que você precisa para cantar frases longas sem ficar sem ar no meio.

Quanto mais você praticar esse exercício, mais longe você vai chegar na contagem. Combine ele com os dois exercícios de respiração intercostal descritos antes e faça tudo diariamente.

Quanto tempo praticar

Pratique por pelo menos um mês, todos os dias, de cinco a dez minutos. Esse é o tempo mínimo para o cérebro começar a registrar os novos padrões de respiração como automáticos. Não existe atalho nesse processo: é condicionamento muscular e neurológico, e ele acontece por repetição.

Quando você estiver cantando uma música, não pense na respiração. Se você tentar controlar tudo ao mesmo tempo, fica ansioso e o canto piora. Deixe o treino fazer o trabalho. O objetivo dos exercícios é exatamente esse: tornar o padrão correto o padrão natural, para que ele aconteça sem esforço consciente durante a performance.

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