Muita gente pensa que não nasceu para cantar porque acha a própria voz feia. A sua voz não é feia. Ela está assim, e o estado da voz muda. Com três exercícios simples, a gente vai testar isso na prática e dar o primeiro passo no caminho para uma voz de cantor.
Agora, atenção, tá? Três exercícios não transformam ninguém em cantor. Cantar envolve outros fatores além do som da voz, questões musicais que são fáceis de aprender, desde que você estude do jeito certo. Mas dá para perceber mudança real já durante os exercícios, e é isso que o teste vai te mostrar.
Antes de tudo, o teste da sua voz
Canta um trechinho de uma música, conta de um a dez ou recita alguma coisa em voz alta. Presta atenção em como esse som sai, se vem fácil ou se parece preso.
Se a voz saiu presa, tudo bem, é com isso que a gente vai comparar. Voz presa é assunto que eu destrinchei no post sobre como soltar a voz para cantar. Por enquanto, guarda essa sensação, porque esse vai ser o seu antes. A gente compara com o depois assim que terminar os três exercícios.
Vibração de língua ou lábio, o primeiro exercício de canto
Uma regra vale para os três exercícios, então já fica sabendo: um minuto em cada um, depois você para, respira, toma um gole de água se tiver por perto, e volta para fazer mais duas vezes.

O primeiro exercício é a vibração de língua ou de lábio, aquele trrr que parece um motorzinho. É engraçado, eu sei, mas exercício de canto é assim mesmo, não estranha.
Escolhe o que for mais confortável para você, língua ou lábio. Os dois cumprem a mesma função, então não existe certo ou errado aqui. Faz o som de forma leve, sem força nem volume. E pode respirar, não precisa fazer o minuto inteiro sem parar.
Essa repetição é o que ensina ao seu cérebro o padrão correto de vibração das pregas vocais, e é por aí que a voz de cantor começa a ser construída.
Esse exercício faz parte do que a ciência da voz chama de trato vocal semiocluído. Um estudo publicado no Journal of Voice incluiu a vibração de língua, a de lábio e a mão na frente da boca entre os exercícios desse grupo que foram analisados.
Mustache e mão espalmada
Mustache
O segundo exercício eu chamo de mustache, bigode em inglês, porque, com os dedos no nariz, parece que a gente tá de bigode. Foi um amigo meu, cantor e editor de vídeos, quem deu esse nome, e ficou.
Você tapa o nariz levemente com dois dedos, enche a bochecha e solta um hum pelo nariz. Não tapa o nariz por completo, senão você sente aquela pressão incômoda na orelha.
Esse exercício expande a cavidade da rinofaringe e sensibiliza essa região, para que o corpo aprenda a trazer mais brilho e potência para a voz.
Mão espalmada
Com a bochecha cheia, você assopra na palma da mão e canta uma nota ao mesmo tempo. Mantém a bochecha, tá? Quando a gente mantém a bochecha, a gente trabalha a pressão interna.
Se aparecer uma vibração estranha no meio do exercício, fica tranquilo, é só ajustar a posição da mão.
Esse é o exercício que eu apelidei de mão espalmada. O nome original em inglês é shut up, cala a boca, mas como a gente é educado por aqui, fica mão espalmada mesmo.
Canta de novo: o depois e o que segura a voz de cantor
Depois de repetir os três exercícios, a gente volta e canta de novo o mesmo trecho do início. Presta atenção se a voz saiu mais fácil. Algumas pessoas notam a voz mais bonita, mais encorpada, mais amaciada. Compara com o seu antes e vê o que mudou em você.
Só que tem um detalhe. Esse resultado é passageiro se você fizer uma vez e parar. Ele mostra o caminho, mas quem fixa a mudança de verdade é a repetição.
Tô confiando em você, hein? Não adianta dizer que não funcionou se você não fez o número de vezes que eu pedi.
Se com três exercícios você já deu um passo para a sua voz de cantor, imagina o que acontece treinando com uma rotina completa. Dá uma olhada no guia de aquecimento vocal completo que eu escrevi, com nove exercícios para você seguir.
Bora cantar.







