O Melhor Microfone para Cantar: Como Escolher sem Errar

Microfones que não foram feitos para cantar

Antes de falar sobre o que funciona, é preciso deixar claro o que não funciona. Existem tipos de microfone que as pessoas usam por falta de opção ou por desconhecimento, mas que não foram projetados para captar a voz cantada.

O primeiro é o microfone auricular, aquele que fica posicionado ao lado do rosto. Você vê muito em palestrantes e apresentadores de televisão. Ele funciona bem em ambientes fechados com som controlado, onde não há ruído em volta. A mobilidade é o ponto forte dele. Mas não foi feito para cantar. A qualidade de captação é limitada para esse uso, e o resultado final fica aquém do que um microfone de canto entrega.

O segundo é o microfone de lapela, aquele pequenininho que prende na roupa. Ele aparece muito em jornalistas, repórteres e apresentadores de vídeo. É discreto e prático para ambientes de gravação de vídeo onde o espaço é controlado. O problema é que ele não é direcional: capta qualquer som que chegue a ele, independentemente da direção. Isso o torna inútil num palco com bateria, guitarra e vozes em volta. Você consegue cantar com ele em uma situação controlada, mas a qualidade será inferior à de um microfone adequado.

O terceiro é o microfone shotgun, também chamado de boom. É usado em gravações de vídeo, posicionado acima da cena. Capta um raio maior de som do que o lapela e tem uma certa direcionalidade. Para gravar exemplos rápidos em vídeo, funciona. Para se apresentar num palco, não. O ambiente ao vivo tem muita reflexão de som, e esse microfone não aguenta esse nível de pressão sonora com eficiência.

Em resumo: esses três tipos têm usos legítimos em gravação de vídeo. Para cantar ao vivo ou em estúdio musical, não são a escolha certa.

Microfone dinâmico: o padrão para apresentações ao vivo

O microfone dinâmico é o que você já viu no palco, no karaokê, no ensaio da banda e na igreja. É o formato bastão que a maioria das pessoas associa à imagem de um cantor.

Ele foi feito para ambientes onde há barulho. A membrana interna que capta o som é menos sensível do que a de um condensador, o que significa que a fonte sonora precisa estar mais perto para ser captada com clareza. Isso é uma vantagem. Quando você canta a 10 centímetros do microfone, a voz entra com força. A bateria atrás de você entra com muito menos intensidade. O técnico de som, do outro lado, recebe um sinal muito mais limpo para trabalhar.

Além disso, o microfone dinâmico é direcional. Ele capta o som que vem da frente, de onde está a sua boca, e rejeita boa parte do que vem dos lados e de trás. Isso é essencial num palco com instrumentos amplificados em volta.

O padrão de mercado nessa categoria é o Shure SM58. Ele é tão utilizado há tantas décadas que o ouvido de quem cresceu consumindo música ao vivo e gravações de shows se acostumou ao som dele. Boa parte dos CDs de rock gravados ao longo de décadas usou esse microfone. Outros fabricantes desenvolvem microfones buscando a referência sonora que ele estabeleceu. É o ponto de partida quando o assunto é apresentação ao vivo.

Microfone condensador: para estúdio, com controle total do ambiente

O microfone condensador é o que você vê nas gravações de estúdio, aquele que fica em um pedestal com uma tela redonda na frente. A sensibilidade dele é muito superior à do microfone dinâmico. Ele capta detalhes que o dinâmico simplesmente não pega.

Mas essa sensibilidade tem um custo. Ele exige silêncio total ao redor. Em um estúdio de gravação musical bem tratado acusticamente, ele funciona de forma excepcional. Em qualquer outro ambiente, os problemas aparecem. O barulho de uma rua, o sistema de ar condicionado, o som do próprio ar saindo pela boca, tudo isso entra no sinal. Quem nunca gravou com esse tipo de microfone costuma se assustar quando coloca o fone de ouvido e ouve o som que a própria boca faz apenas com a língua se movendo.

Essa sensibilidade também significa que qualquer imprecisão técnica na voz fica registrada com clareza. Isso explica por que alguns cantores optam pelo microfone dinâmico mesmo em gravações de estúdio. Para determinados estilos, especialmente o rock, a pressão sonora que o dinâmico aguenta e a forma como ele responde ao canto de perto entregam um resultado que o condensador não replica.

O condensador não é superior ao dinâmico em termos absolutos. São ferramentas diferentes para contextos diferentes. Em estúdio com ambiente controlado, o condensador entrega mais qualidade e detalhe. Em qualquer outra situação, o dinâmico é mais adequado.

Pop filter e espuma: o que essas proteções fazem

Dois acessórios aparecem com frequência e geram dúvidas sobre o que são e para que servem.

A espuma que cobre a cápsula do microfone dinâmico serve para duas coisas: proteger a parte interna do microfone e reduzir aquele som de fundo, o ruído de ar que o microfone capta. Ela também é usada em gravações de podcast e em microfones condensadores. Não serve para mudar a cor do microfone, apesar de muitas vezes ser colorida.

O pop filter, aquela tela circular que fica montada na frente do microfone em estúdio, tem uma função específica: impedir que o ar saia direto para a cápsula do condensador. Quando você canta sílabas com P e B, uma rajada de ar é liberada pela boca. Sem proteção, esse ar bate na membrana do microfone e produz um estalo no áudio, chamado de pop. O pop filter filtra esse impacto antes que chegue ao microfone. Além disso, ele serve como referência de distância: ajuda o cantor a manter uma posição consistente em relação ao microfone, o que afeta diretamente o timbre capturado, já que aproximar ou afastar o microfone altera a quantidade de graves que ele registra.

Microfone melhor não significa voz melhor

Uma crença comum é que a voz soa ruim por causa do microfone. Que um condensador de estúdio resolveria o problema. Não resolve.

Quanto melhor o microfone, mais detalhes ele capta. Mais detalhes significa mais defeitos da voz registrados com clareza. Um condensador de alta qualidade vai mostrar com precisão cada falha de afinação, cada imprecisão de emissão, cada instabilidade no timbre. Isso não é um problema do microfone. É a voz sendo revelada sem filtros.

O microfone dinâmico que você usa onde canta é a ferramenta certa para o contexto. O que muda a qualidade do resultado é a voz que entra nele. Para quem quer trabalhar a qualidade da voz em si, o caminho é o estudo de como ter voz bonita para cantar, não a troca de equipamento. E para quem quer entender melhor o que acontece com os detalhes técnicos da captação e da emissão vocal em geral, os fundamentos estão na técnica, não no hardware.

Posts recentes: