Voz Bonita para Cantar: O Que Realmente Muda a Sua Voz em 3 Exercícios

Ninguém nasce cantando

Quando alguém diz que conhece uma criança que nasceu cantando, vale parar e perguntar: foi um professor que disse isso, ou alguém que não entende nada de voz? A resposta, quase sempre, é a segunda.

Crianças que cantam bem na infância não nasceram com um dom. Elas brincaram de cantar. Muito. Foram tentando soar parecidas com os cantores que ouviam, errando, ajustando, tentando de novo. Tentativa e erro. Nada fora do normal. Nada diferente do que você pode fazer agora.

Esse ponto importa porque muda completamente como você enxerga sua própria voz. Se a voz bonita fosse só genética, não haveria nada a fazer. Mas não é genética. E há muito a fazer.

O que faz uma voz soar desagradável

Toda voz tem características únicas. O que torna uma voz feia ou difícil de ouvir não é a voz em si, mas dois fatores muito específicos: desequilíbrio na ressonância e falta de afinação. E esses dois fatores são treináveis.

A ressonância é o ponto central aqui. A voz não produz o som final só nas cordas vocais. Ela ressoa por espaços internos, e esses espaços amplificam, colorem e projetam o som. Existem três áreas principais de ressonância:

Laringofaringe, a região da garganta. Quando está desequilibrada, a voz fica muito fechada, pesada, empurrada para baixo. Aquele som de quem fala muito no fundo da garganta.

Orofaringe, o espaço da boca. Desequilíbrio aqui resulta em voz estralada, anasalada de forma errada, chata de ouvir.

Rinofaringe, ou nasofaringe, que são as cavidades nasais e todo o espaço nasal do rosto. Excesso ou falta de uso desse espaço gera nasalidade exagerada ou voz sem brilho e sem projeção.

Todo som que você não gosta na sua voz tem endereço. Ele vem do desequilíbrio em uma dessas três áreas. É por isso que os exercícios abaixo funcionam: eles atuam diretamente nesses espaços para equilibrá-los.

Antes de começar: como e quanto treinar

Faça cada exercício três vezes por sessão. Isso significa que você faz uma vez, descansa, toma água e repete mais duas vezes. Todos os três exercícios.

E não é treino de uma vez só. Para que o resultado se fixe na voz, você precisa repetir esse treino por pelo menos três semanas. O efeito imediato existe, mas a mudança definitiva vem da repetição consistente. A voz é muscular. Músculo responde ao treino regular, não ao treino ocasional.

Salva esse conteúdo para consultar durante as semanas de treino.

Os exercícios

Aquecimento: firmando os lábios

Coloque a mão de lado na boca, pressionando levemente para cima para firmar os lábios. A ideia é criar resistência. Com os lábios assim firmados, solte um som com voz enquanto percorre algumas notas.

Esse aquecimento prepara a prega vocal e começa a abrir os espaços de ressonância antes dos exercícios principais. Não pule essa etapa.

Exercício 1: Sopro sonorizado

Feche a boca com bochecha cheia, como se fosse soprar com resistência. O ar não sai fácil, a bochecha faz pressão. E nessa posição, solte um som enquanto sustenta a bochecha.

A bochecha cheia não é detalhe estético. Ela tira a carga das pregas vocais e força o trabalho nos espaços de ressonância. Quando você sente a voz trêmula nesse exercício, é sinal de que está funcionando: as pregas estão sendo condicionadas e os ressonadores estão expandindo.

Percorra algumas notas diferentes. Aguente a última nota por alguns segundos. Se sentir tontura, pare, respira fundo e retoma depois. Isso é normal no início e passa com a prática.

Exercício 2: Ativando a rinofaringe

Coloque os dois polegares nas narinas, sem tampá-las completamente. Só o suficiente para criar uma leve resistência à saída do ar. Com boca fechada e bochecha cheia, sopre e solte um som pelas narinas durante um minuto.

O objetivo aqui é ativar e expandir as cavidades nasais. Durante o exercício, você vai perceber o nariz se expandindo levemente. Isso é o que você quer. Esse espaço, quando ativado corretamente, é o que dá brilho e projeção à voz. É o que faz uma voz chegar longe sem esforço.

Faça por um minuto. Descansa. Repete mais duas vezes.

Exercício 3: Dorso da mão

Coloque o dorso da mão, a parte de cima, levemente na frente da boca, com a boca um pouco aberta. Novamente com bochecha cheia, sopre e sustente uma nota sentindo o ar sair sobre a mão.

Esse exercício trabalha a expansão dos ressonadores por um ângulo diferente dos anteriores. A nota sustentada, com a resistência da bochecha, continua o trabalho de redistribuir o esforço das cordas vocais para os espaços de ressonância.

Faça por um minuto. Repete mais duas vezes.

O teste: antes e depois

Antes de começar os exercícios, cante um trecho de música ou conte de um a dez em voz alta. Grave se possível, ou presta atenção em como a voz soa agora. Depois de completar os três exercícios, cante o mesmo trecho.

A diferença costuma ser perceptível já nessa primeira sessão. A voz fica mais projetada, com mais brilho, passando mais pelo rosto e menos presa na garganta. Quem percebe mais diferença de imediato são as pessoas com mais tensão nos espaços internos.

Se a diferença for menor agora, não é sinal de que não funcionou. É sinal de que precisa de mais repetição para destravar o que está tenso. Continue treinando. Três semanas de trabalho regular fazem o que uma única sessão não consegue fazer sozinha.

A voz que você quer não está bloqueada por genética. Está bloqueada por desequilíbrio. E desequilíbrio tem solução.

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