O microfone dinâmico de bastão
O microfone mais comum no palco é o microfone dinâmico, também chamado de microfone de bastão. Existe em versão com fio e sem fio. É o que você vê na maioria dos shows, igrejas, bares e eventos. Os técnicos de som conhecem bem esse tipo porque ele foi projetado para captar com clareza o som que está próximo dele e rejeitar os ruídos ao redor, como a bateria lá atrás ou a guitarra do lado.
A cúpula do microfone, aquela parte superior arredondada, é onde o som é captado. Por isso o microfone precisa estar virado para a sua boca. Parece óbvio, mas é um erro comum. Pessoas seguram o microfone na lateral, virado para o lado errado, e depois reclamam que o som ficou magro.
Como segurar o microfone
O jeito certo é segurar pelo corpo do microfone, não pela cúpula. Muita gente instintivamente coloca a mão em volta da cúpula, cobrindo parcialmente a captura do som. Qualquer pressão ou contato na cúpula altera o som e dificulta o trabalho do técnico de som em te deixar bem nas caixas.
Segura pelo corpo, com o microfone virado para a boca. Quando você vira o microfone para o lado, o som vai perdendo corpo progressivamente. Quanto mais você desvia da posição frontal, mais você perde presença no som. Faz o teste cantando a mesma frase enquanto gira o microfone aos poucos, e você vai ouvir a diferença.
Distância da boca
A distância recomendada é de aproximadamente quatro dedos entre o microfone e a boca. Não é para colar na boca, porque isso além de não ser higiênico, causa problemas de proximidade que vamos ver a seguir. Mas também não é para segurar longe, como às vezes cantores fazem em palcos grandes.
Sobre essa questão de cantar com o microfone afastado: cantores profissionais fazem isso com microfones de alto nível, geralmente na faixa de sete a quinze mil reais. A carcaça pode parecer igual, mas o equipamento por dentro e toda a cadeia de som por trás são completamente diferentes. Antes de replicar essa postura usando o microfone da sua igreja ou do evento local, entende que o resultado vai ser diferente. Usa a distância de quatro dedos, que funciona para a maioria das situações e equipamentos.
Efeito proximidade
Existe um fenômeno chamado efeito proximidade. Quanto mais você aproxima o microfone da boca, mais graves você adiciona ao som. Isso pode ser usado de forma intencional.
Se você está cantando uma música mais intimista, mais romântica, e quer um som com mais corpo e peso, aproxima o microfone um pouco além da distância padrão. O resultado é um som mais denso, mais próximo do ouvido do ouvinte. Por outro lado, se você está em um trecho de maior volume, onde a sua voz naturalmente vai soltar mais energia, você pode afastar um pouco o microfone para equilibrar.
O microfone não é um objeto fixo que você trava em uma posição e ignora. É um instrumento que você manipula junto com a sua dinâmica vocal. Você aumenta o volume da sua voz e ao mesmo tempo afasta um pouco o microfone. Você quer um som mais suave e encorpado e aproxima. Isso é técnica de microfone.
Dito isso, não cole o microfone na boca. Quando você encosta o microfone nos lábios, os graves explodem, o som embolha, e por mais que pareça cheio naquele momento, na saída das caixas vai soar errado.
Como funciona a equalização
A equalização é um assunto que causa muita confusão. As pessoas pedem para o técnico colocar mais grave, mais agudo, mais médio no microfone, mas a maioria não entende o que cada ajuste realmente faz.
Adicionar graves deixa o som mais gordo, mais pesado, mas também mais embolado se exagerar. Aumentar os médios traz a presença da voz, aquela região que você mais ouve em conversas normais, mas em excesso deixa o som estranho e engolado. Aumentar os agudos melhora a inteligibilidade, você entende melhor as palavras, mas em excesso faz com que os S e outros sons agudos apareçam de forma exagerada e agressiva.
Uma coisa importante: na maioria dos eventos, o técnico de som faz os ajustes de equalização no seu retorno de palco, não nas caixas que o público ouve. O que você ouve no monitor pessoal pode ser diferente do que o público está ouvindo. O técnico ajusta o som da plateia conforme o que ele considera necessário para o espaço. Então quando você pede para tirar mais agudo, em muitos casos isso só vai mudar para você, não para quem está te assistindo.
O retorno de palco, também chamado de monitor, é a caixa virada para você no palco. Ela serve para você se ouvir e cantar com segurança. O som do monitor geralmente tem qualidade menor do que as caixas principais. Se o seu retorno não está ótimo, não entra em pânico. O que o público ouve pelas caixas frontais tem qualidade muito superior. Use o monitor como referência para você se guiar, não como parâmetro do que o público está ouvindo.
O que o microfone não resolve
O microfone amplifica o que você entrega. Se a sua voz é estridente porque você ainda não domina o controle da dinâmica, o microfone vai amplificar essa estridência. Se você desafina, o microfone vai entregar essa desafinação para o público com mais clareza ainda. Não adianta esperar que o técnico de som corrija problemas vocais que só a técnica resolve.
O ouvido humano tem um mecanismo de adaptação sensorial. Se o som for ruim mas estável, as pessoas se acostumam com ele ao longo do tempo. Mas uma voz que desafina, que berra sem controle, que não tem dinâmica, não tem adaptação sensorial que compense. Para desenvolver o controle da voz antes de depender do microfone, trabalhar como cantar sem forçar a garganta é um bom ponto de partida.
Aprende a usar o microfone como extensão da sua voz. Segura pelo corpo, aponta para a boca, usa a distância de quatro dedos, e manipula a aproximação de acordo com a dinâmica da música. O resto, o equalizador, os efeitos, o retorno, é suporte. A voz bem trabalhada é o que faz o microfone soar bem.
Para quem quer entender melhor o que muda no timbre e na projeção antes de chegar no microfone, o texto sobre como ter um timbre de voz bonito trata dos ajustes internos que fazem diferença no som que o microfone vai captar.







