Voz Mista: O Que É e 3 Exercícios para Cantar Notas Agudas com Facilidade

O problema com os agudos

Quando você tenta levar a voz de peito para a região aguda, a voz quebra. Você sente a garganta travar, a nota não sai ou sai com esforço e sem qualidade. Isso acontece porque a voz de peito é um registro denso e pesado, feito para a região grave e média da voz. Quanto mais agudo você vai com ela, mais esforço é necessário, até o ponto em que simplesmente não funciona mais.

A alternativa natural é a voz de cabeça. É o registro leve, aquele som fino que a maioria das pessoas associa ao falsete. A voz de cabeça chega nos agudos sem dificuldade, mas soa fina demais para a maioria das músicas. Fica aquela voz levinha que não combina com músicas de mais peso, de mais energia.

A voz mista resolve esse problema. É a combinação dos dois registros, e é o que permite cantar notas agudas com corpo de voz, sem quebrar e sem soar fraco.

O que é voz mista

Voz mista, também chamada de Mix Voice, é a mistura das qualidades da voz de peito e da voz de cabeça. Você mantém parte do peso e da presença do registro de peito, mas usa a leveza do registro de cabeça para alcançar as notas agudas sem esforço.

A voz mista é um registro vocal. Assim como a voz de peito e a voz de cabeça são registros, a voz mista é um terceiro ponto de ajuste muscular nas pregas vocais. Não é um truque nem uma ilusão. É um estado real que as pregas vocais conseguem assumir quando treinadas para isso.

Se você ouvir alguém cantando um agudo com presença, com corpo, sem parecer que está forçando e sem parecer que está em falsete, está ouvindo o mix. É o recurso que os cantores usam nos momentos em que a música sobe e precisa de energia ao mesmo tempo.

Como encontrar o seu mix

Uma forma simples de começar a entender onde fica o mix na sua voz é fazer o som de chamar alguém na rua. Não gritando, só chamando: ei. Aquele ei leve, como se você estivesse do lado de cá da calçada chamando alguém do outro lado.

Faz esse som agora. Ei. Perceba que não é um som pesado de peito, mas também não é um falsete fino. É um som leve, mas com presença. Esse é o mix. É simples assim. A voz mista parece uma grande coisa, quase uma religião para quem está de fora, mas é basicamente essa mistura de sensações.

Exercício 1: Vibração de lábios

Coloca dois dedos embaixo das bochechas, levemente, para ajudar a relaxar a musculatura facial. Depois faz o som de vibração de lábios, aquele som de brrr que se usa em aquecimento vocal. Com os lábios vibrando, você vai subir e descer por uma escala, do grave ao agudo e de volta ao grave.

A ideia é fazer a escala de forma leve, sem colocar volume. Não é para forçar. O exercício existe para permitir que você passe pelos registros sem a resistência que a voz normalmente apresenta. A vibração de lábios reduz a tensão e facilita a transição entre peito, mix e cabeça.

Homens começam na região mais grave. Mulheres podem entrar quando a escala já estiver subindo um pouco, na região que se sentir confortável. Faz três rodadas do exercício.

Exercício 2: Vogal Güek com laringe baixa

Coloca a mão no pescoço e engole. O movimento que você sentiu é a laringe subindo. Para esse exercício, você quer a laringe na posição baixa, relaxada, que é a posição natural quando ela não está contraída.

O som para esse exercício é uma vogal parecida com Güek, mas com som de G gutural, como em algumas palavras do inglês ou do alemão. Faz o som e sente a laringe subir. Agora encontra a posição onde ela fica baixa enquanto você faz o som, e mantém ela lá.

Com a laringe nessa posição baixa, você faz a mesma escala do exercício anterior. O objetivo da laringe baixa é garantir que o trato vocal fique aberto e que o exercício seja feito com segurança, sem contração desnecessária.

Se você sentir que está forçando, que está arranhando ou que a garganta está ardendo, você está colocando ar ou tensão demais. Reduz o volume, relaxa e tenta de novo. Faz três rodadas.

Exercício 3: Som Nei nasal

Esse exercício usa um som propositalmente nasal e estranho. O som é Nei, mas pronunciado de forma bem nasal, quase irritante de tão fechado. Parece errado. Não está errado.

O motivo desse som é trabalhar o espaço da rinofaringe, as cavidades nasais que ficam acima do palato mole. Quando você vai ao extremo do som nasal de forma intencional e controlada, você está abrindo mão da resistência que o trato vocal normalmente apresenta. Isso cria liberdade para o mix acontecer com mais facilidade.

A lógica é: se você consegue ir ao extremo do som fechado e nasal sem se machucar, você terá facilidade de dosar quando precisar de um som mais equilibrado na hora de cantar de verdade.

Faz a mesma escala com esse som, do grave ao agudo e de volta, de forma leve. Três rodadas.

Como treinar e com que frequência

Cada exercício deve ser feito três vezes por rodada. Faça os três exercícios pelo menos duas vezes por dia, idealmente três. Essa frequência mantém o estímulo suficiente para que a musculatura da laringe comece a incorporar o ajuste da voz mista.

O cérebro precisa de repetição para fixar um novo padrão muscular. Quatro a cinco semanas de treino consistente é o que leva para o mix começar a aparecer de forma natural, sem você precisar pensar nele enquanto canta.

Para quem está desenvolvendo o mix como parte de um repertório de técnicas, o texto sobre agudos potentes e afinados complementa esse trabalho com exercícios específicos para dar mais presença às notas agudas depois que o mix já está sendo desenvolvido.

Para quem ainda sente a voz presa e com dificuldade de transitar entre registros, o trabalho de soltar a voz presa na garganta é um passo anterior que vale resolver antes de se dedicar ao mix com mais intensidade.

Voz mista é um recurso técnico real. Não é mágica, não exige talento especial. Exige treinamento repetido dos ajustes musculares certos, nas condições certas, com a frequência certa.

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