Voz de Garganta não existe! Exercícios para tirar a voz da garganta

Voz de garganta não existe

Pode parecer estranho ouvir isso se você está sentindo exatamente essa sensação, mas o fato é: nenhum livro de técnica vocal, nenhum profissional da área usa o termo voz de garganta. Esse conceito não existe.

Suas pregas vocais ficam na laringe, que fica na sua garganta. Então tecnicamente toda voz nasce na garganta. O problema não é onde a voz nasce. O problema é o sinal que essa sensação de aperto, ardência ou estrangulamento está enviando para você.

Se você sente a garganta doer, arder ou tem aquela sensação de voz estrangulada ao cantar, significa que você passou de algum limite ou está fazendo algo de forma muito errada.

Por que você está sentindo isso

Quando você ultrapassa o limite na altura de uma nota, no volume que está cantando, ou usa uma técnica de forma incorreta, a garganta responde com dor e tensão. É o corpo avisando que algo não está certo.

Repita isso: dor não tem que existir. Nunca. Qualquer ardência, dor ou sensação de aperto ao cantar é sempre um alerta. Não é normal, não é fase, não é adaptação.

Isso é ainda mais comum quando o cantor tenta ir direto para uma técnica avançada sem preparação. Você pega uma nota mais aguda do que nunca cantou, tenta forçar, e a musculatura trava. É exatamente aí que a garganta dói e a voz fica presa.

De onde vem a confusão com o nome

As classificações que existem de fato na técnica vocal são voz de peito e voz de cabeça. Esses nomes vêm de sensações físicas percebidas antes de a ciência avançar sobre o assunto. Quando você faz uma nota grave com a vogal U, sente vibração no peito. Quando faz uma nota aguda e fina, algumas pessoas sentem vibração na cabeça.

Por causa dessas sensações, as pessoas tentam nomear um meio do caminho e chamam de voz de garganta. Ou confundem com voz mista. Esquece esse termo. Voz mista existe, voz de garganta não existe. O que existe é uma sensação que indica um erro.

Assim como o mito de cantar pelo diafragma, esse é mais um conceito popular que não tem base na técnica vocal real. Entender isso muda a forma como você treina.

A lógica correta do desenvolvimento vocal

Toda técnica vocal precisa ser desenvolvida de forma gradual. Você não chega em uma nota aguda que nunca cantou e tenta alcançá-la no primeiro dia de treino. Você constrói isso nota a nota, treino a treino.

A cada nova nota tentada, a cada técnica introduzida, a musculatura vai se condicionando. O cérebro vai aprendendo a controlar toda essa estrutura, que é complexa. Quando você pula etapas, a musculatura não está preparada, e a resposta é o aperto, a dor e a voz presa.

Se você quer aumentar sua extensão vocal e cantar mais agudo, o caminho é esse: passo a passo, com método, sem forçar o que a voz ainda não está preparada para dar.

Exercício 1: aquecimento com vibração de lábios ou língua

Antes de qualquer exercício específico, você precisa preparar a voz. Faça uma vibração de lábios ou de língua por um minuto. Isso é um pré-aquecimento. Não pule essa etapa.

Se quiser um aquecimento vocal completo, o canal tem um vídeo dedicado apenas a isso, do começo ao fim, sem conversa. Procure por aquecimento vocal no canal.

Exercício 2: o espaguete

Esse exercício trabalha o posicionamento da laringe. Você vai puxar o ar como se estivesse sugando um espaguete, mas de forma leve, como nos desenhos animados.

A execução é assim: feche os lábios levemente, puxe o ar de forma suave e sustentada, e sinta sua laringe descer. Não force. Tem que ser algo leve, sem tensão. Segure por alguns segundos e repita.

Faça durante um minuto. Depois descanse, respire e repita mais duas vezes.

O que esse exercício faz: quando você baixa a laringe, você abre o espaço interno. Boa parte da sensação de voz estrangulada vem exatamente do aperto nesse espaço, causado por tensão, pelo esforço de gritar ou de forçar notas. Esse exercício desfaz isso e coloca a laringe em uma posição mais equilibrada para cantar.

Exercício 3: a sirene

Com as bochechas cheias, você vai fazer um som de sirene do grave ao agudo. A bochecha fica cheia porque você está empurrando o ar com os lábios fechados. O som sai por dentro, não é assobio.

Faça do grave ao agudo, depois do agudo ao grave, durante um minuto. Não precisa ir ao extremo do seu grave nem do seu agudo. Fique na região confortável e deixe o som fluir de forma leve.

Um cansaço muscular leve é normal durante o exercício. Dor não. Se sentir tontura, para, respira, toma água e volta.

Repita mais duas vezes além da primeira.

Exercício 4: transição de vogal do grave ao agudo

Esse exercício trabalha diretamente a passagem da voz de peito para a voz de cabeça, que é exatamente onde a maioria das pessoas sente a garganta travar.

Você vai partir de uma nota grave com a vogal A, subir até uma nota aguda mudando para AU e depois para U. Assim: A, ao chegar no agudo muda para AU, e depois para U.

A lógica: é muito mais fácil fazer a voz de cabeça ou uma nota aguda com vogal fechada, como U, do que com vogal aberta, como A. O exercício começa aberto para aproveitar a voz de peito e vai fechando para facilitar a passagem para o agudo de forma saudável.

Pode acontecer uma quebra de voz no meio do caminho. Isso é normal. Você está treinando. Com o tempo essa passagem vai se ajustando.

Faça de forma leve, no mesmo volume do início ao fim. Não pode gritar. Não pode forçar.

O que fazer a partir daqui

Esses exercícios abrem o espaço, relaxam a laringe e ensinam seu cérebro a lidar com os agudos de forma menos tensa. Mas eles não substituem um acompanhamento individual.

Se você está começando agora, esses exercícios dão uma direção, mas um professor acompanhando de perto vai garantir que você não esteja errando na execução de algo que parece simples e que pode estar gerando tensão de forma errada.

Treino vocal se constrói devagar, com consistência. Sem dor. Sem forçar. E com clareza do que você está fazendo e por quê.

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