Voz Bonita para Cantar com Microfone: Como Usar e Segurar do Jeito Certo

O que ninguém te ensina sobre usar o microfone

A maioria das pessoas que está aprendendo a cantar não tem a menor noção de como o microfone funciona. A referência que elas usam é aquela imagem do cantor na televisão, segurando o microfone de qualquer jeito, às vezes tampando a cápsula com a mão. E aí copiam isso achando que está certo.

O problema é que o que você vê na televisão muitas vezes não é totalmente ao vivo. Em programas de auditório, por exemplo, é comum que a apresentação seja gravada antes e reproduzida no palco junto com a performance. O cantor pode segurar o microfone de forma completamente errada e o som vai sair perfeito, porque já está gravado. Essa referência não serve para quem canta em igrejas, karaokê, ensaios ou palcos reais com equipamentos comuns.

A boa notícia é que entender o microfone é simples. Você não precisa virar técnico de som, só precisa saber o suficiente para tirar o melhor proveito do equipamento que tem.

As partes do microfone dinâmico

O microfone mais comum em palcos, igrejas e ensaios é o microfone dinâmico. Ele aguenta uma pressão sonora alta, funciona bem com vocais e alguns instrumentos, e é feito para uso ao vivo. Antes de aprender a usá-lo, vale entender o que você está segurando.

A parte de cima, aquela tela arredondada, é chamada de globo. Dentro do globo fica a cápsula, que é o componente responsável por captar o som. O corpo do microfone, a parte de baixo onde você coloca a mão, é onde você deve segurar. Nunca coloque a mão sobre o globo ou a cápsula. Isso interfere diretamente na captação do som.

Na base fica a entrada para o cabo, geralmente um plug XLR. Esse tipo de plug tem três pinos: X para terra, L para esquerda e R para direita. O cabo XLR carrega o sinal de forma muito mais limpa até a mesa de som. Sempre que puder, use cabo XLR. A diferença em qualidade de sinal é significativa.

Como a cápsula capta o som: o padrão cardioide

A cápsula de um microfone dinâmico comum trabalha com o padrão de captação chamado cardioide. O nome vem do formato em que ela capta o som: um coração. Ela pega o som de forma ampla na frente e vai diminuindo nas laterais até quase não captar nada atrás.

Existe também o padrão hipercardioide, que tem um cone de captação mais fechado e estreito. Microfones hipercardioides captam menos som do ambiente ao redor, mas exigem que o cantor fique ainda mais próximo e alinhado com a cápsula para ter um bom resultado.

Independentemente do padrão, a regra é a mesma: a cápsula deve sempre estar apontada para a sua boca. Se ela estiver de lado ou virada para baixo, você perde corpo, clareza e nuances da sua voz. Isso não é opinião, é física.

A distância correta e a inclinação ideal

Existe uma distância que funciona bem para a grande maioria dos cantores: quatro dedos da boca. Não precisa ser exato, mas esse é o parâmetro. Nem colado na boca, nem afastado demais.

Colar o microfone na boca pode gerar um som abafado e desagradável, além de potencializar consoantes explosivas como o P e o B. Afastar demais força o técnico de som a aumentar o ganho geral do microfone para compensar, e com isso ele aumenta também o ruído do ambiente ao redor.

A lógica é simples: quanto mais perto da fonte sonora estiver o microfone, mais volume ele capta da voz e menos ruído de fundo ele precisa amplificar. Quando o técnico aumenta o ganho para compensar um microfone afastado, tudo aumenta junto, inclusive o que você não quer ouvir.

Manter o microfone na distância correta já entrega um som com mais corpo, mais presença e menos ruído. O técnico de som então finaliza o ajuste no equalizador, mas você já chegou lá com um sinal de qualidade.

O que o espuma e o globo fazem pelo seu som

Dentro do globo do microfone já existe uma espuminha fina que protege a cápsula da saliva e de sons explosivos. Aquele espuma externo que você pode colocar por cima serve para aumentar ainda mais essa proteção, reduzindo o impacto do ar que bate direto na cápsula ao pronunciar consoantes.

Em ambientes com bom equipamento de som, é possível controlar esses ruídos via equalização. Mas se você não tem um técnico experiente ou o equipamento é mais simples, o espuma ajuda bastante. Ele pode deixar o microfone visualmente mais feio, mas faz diferença prática no som.

Não existe microfone certo para cada tipo de voz

Um erro comum acontece na hora de comprar microfone. O vendedor diz que determinado modelo é ideal para vozes femininas, ou que aquele outro é perfeito para vozes masculinas. Isso não existe.

O microfone capta o som. A adequação para o tipo de voz é feita na equalização, lá na mesa de som. Você ajusta graves, médios e agudos de acordo com as características da voz e do ambiente. Não existe fórmula de fábrica que faça isso por você.

O que você precisa avaliar ao comprar um microfone é a marca e a qualidade de construção. Marcas como Shure e SE são referências no mercado. A construção importa: um microfone de ferro bem construído dura anos; um microfone barato de plástico pode falhar no pior momento possível. A diferença de preço entre um microfone de R$35 e um de R$150 se reflete diretamente na durabilidade e na consistência do sinal.

O que a equalização faz, de verdade

Muita gente acha que aumentar os graves no equalizador vai deixar a voz mais grave, ou que aumentar os agudos vai deixar a voz mais aguda. Não é assim que funciona.

Toda voz tem sua região grave, média e aguda. O equalizador valoriza ou reduz uma dessas regiões para que o som chegue ao público de forma equilibrada. Se a voz tem muito médio e isso está causando um som nasal ou cansativo, o técnico reduz um pouco. Se falta brilho nos agudos, ele aumenta levemente. Não é uma mudança de voz, é um ajuste de equilíbrio.

Você como cantor não precisa se preocupar com o que está ouvindo no seu retorno de palco. O técnico de som ajusta o sistema primeiro para o público, e só depois calibra o retorno para o artista. Se o som no seu ouvido não está perfeito, não significa que o microfone está com problema. Significa que o técnico está priorizando quem pagou para te ouvir, que é o correto.

Microfone caro não substitui técnica vocal

Aqui está um ponto que muita gente ignora: microfone não afina voz, não dá projeção e não muda seu timbre. O microfone amplifica o que você já tem. Se a voz é desafinada, ele vai amplificar a desafinação. Se a voz é fraca e sem corpo, ele vai amplificar isso também, só que mais alto.

Antes de investir em um microfone caro, invista em técnica vocal. E para quem quer cantar em igrejas ou com bandas, existe outro ponto importante: a qualidade do seu sistema de som é sempre nivelada pelo pior equipamento da cadeia. De nada adianta ter o melhor microfone do mercado se o cabo é ruim, a mesa de som é mediana e a caixa de som é fraca. O resultado vai ser limitado pelo elo mais fraco.

O ideal é equilibrar o investimento em todos os equipamentos, em vez de gastar tudo em um microfone de ponta e deixar o restante da cadeia defasado. Um sistema equilibrado com equipamentos intermediários de qualidade entrega resultado muito melhor do que um conjunto desequilibrado.

E quando chegar a hora de trabalhar sua voz de verdade, o caminho é através de técnica vocal, não de equipamento. Se você quer entender como ter uma voz bonita para cantar com exercícios que funcionam, o trabalho começa antes mesmo de você pegar o microfone. Para quem também quer melhorar o controle do corpo sonoro, vale conhecer os 4 segredos dos cantores profissionais para ter uma voz bonita e afinada.

Resumo prático

Segure o microfone sempre pelo corpo, nunca sobre o globo. Mantenha a cápsula apontada para a boca. A distância ideal é de aproximadamente quatro dedos. Use cabo XLR sempre que possível. Não existe microfone certo para cada tipo de voz, o ajuste é feito na equalização. E lembre: microfone amplifica o que você tem, não melhora o que falta.

O equipamento é uma ferramenta. Quem canta bem, canta bem com qualquer microfone decente. Quem ainda está desenvolvendo a técnica vai continuar com os mesmos problemas, só que mais alto.

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