Minha Voz é Boa para Cantar? (Confira os Requisitos)

O que sua voz precisa ter antes de começar a cantar

A primeira pergunta que a maioria das pessoas faz é: minha voz é boa para cantar? A resposta depende de critérios objetivos. Não é questão de talento, nem de ter nascido em família musical. Existe uma lista de coisas que a aula de canto resolve e uma outra lista de coisas que precisam de acompanhamento médico primeiro.

Saúde da voz: o que precisa de médico

Antes de pensar em técnica, você precisa saber se sua voz está em condições de ser treinada. Três sinais indicam que você deve procurar um médico antes de começar qualquer aula de canto.

Dor constante ao falar

Se você sente dor quando fala, não de vez em quando, mas de forma constante, isso precisa de avaliação médica. O caminho é o otorrinolaringologista. Ele vai avaliar o que está acontecendo com suas pregas vocais e propor o tratamento adequado. Com a voz tratada e liberada, você parte para a aula de canto.

Refluxo gastroesofágico

O refluxo é aquele ácido que volta do estômago e queima a garganta. Algumas pessoas sentem queimação no peito, outras sentem dor mais intensa. O problema é direto: o refluxo afeta as pregas vocais, que são o principal instrumento usado no canto. Se você tem refluxo, trate com um médico antes. O otorrino avalia e encaminha o tratamento correto.

Rouquidão constante

Nenhuma rouquidão é normal. A voz humana saudável é limpa. Se você tem um ruído constante na sua voz, mesmo que sempre tenha sido assim ou que seja algo de família, vale procurar um otorrinolaringologista. Ele avalia a causa e, se necessário, encaminha para um fonoaudiólogo. Rouquidão tem causa, e causa tem tratamento. Se quiser entender mais sobre esse tema, leia o artigo sobre como parar de sentir dor na hora de cantar e soltar a voz.

Audição: perda auditiva impede de cantar?

Muita gente pergunta se quem tem perda auditiva pode aprender a cantar. Pode. O corpo humano se adapta às suas limitações. Cantores profissionais frequentemente têm alguma perda auditiva acumulada por anos de shows e exposição a volume alto. Isso não os impediu de desenvolver carreiras sólidas.

Perdas severas tornam o processo mais difícil, mas não impossível. Se você ouve de um lado só, ou ouve com dificuldade, isso não é um impedimento definitivo para aprender a cantar.

Amusia: a incapacidade real de afinar

Existe uma condição neurológica chamada amusia, em que o cérebro não consegue discernir se uma nota está correta ou não. A pessoa não tem como alinhar o que canta com o que escuta. Isso é raro, muito raro. A maioria das pessoas que acha que tem amusia está, na verdade, no início do processo de treinamento de afinação. São situações completamente diferentes.

Se você realmente suspeita de amusia, o caminho é um neuropsicólogo, que vai realizar testes específicos. Mas não parta do pressuposto de que você tem isso. É um caso raríssimo, e o médico vai confirmar ou descartar com os exames adequados.

Timbre: não existe voz feia

Uma das crenças mais comuns é a de que minha voz não é boa para cantar porque é feia. Timbre é a cor da voz, a característica que a torna única, como uma impressão digital. Não existe voz feia. Existe voz destreinada.

Quando você não gosta do seu timbre, geralmente é porque ainda não aprendeu a trabalhar com ele. Esse é exatamente o trabalho do treinamento vocal: estudar ressonância, ajustar a projeção, posicionar o som de forma diferente. Com o tempo e a prática, o timbre se modifica, se equilibra, se torna mais agradável. Para entender melhor esse processo, veja o artigo sobre como ter a voz bonita para cantar em qualquer estilo.

Outra crença frequente é a de que só quem tem voz aguda pode cantar bem. Isso é equívoco. Voz grave não é defeito. Tom Jobim, João Gilberto, Ana Carolina, Seu Jorge, todos cantam com vozes que estão longe do agudo de programa de auditório. O agudo impressiona em competições, mas não é requisito para cantar bem. Voz grave, voz média, voz aguda: todas precisam de treino e todas podem soar bem.

Afinação: habilidade treinável

Afinar é executar a nota correta no momento certo. Nada além disso. O processo de afinação ocorre através dos movimentos das suas pregas vocais. Elas esticam e afinam para produzir cada nota. E isso é treinável porque é motor, é muscular.

Pense no trombonista: ele não nasce sabendo onde está cada nota no instrumento. Ele treina o movimento do braço e a quantidade de ar até que o cérebro registre cada posição. Com a voz funciona da mesma forma. O cérebro aprende a coordenar o ajuste das pregas para cada nota. É um processo de aprendizado, não um dom inato.

Se você nunca treinou afinação, é normal errar. Não é sinal de incapacidade, é sinal de que o treino ainda não aconteceu.

Ritmo: também se aprende

Não ter ritmo não é uma condição permanente. Ritmo, assim como afinação, é uma habilidade treinável. Você não nasceu sabendo falar português, não nasceu fazendo conta de matemática. Aprendeu. Ritmo funciona da mesma forma. Algumas pessoas têm mais facilidade no início, outras têm mais dificuldade. Isso é válido para qualquer área do conhecimento humano e não diz nada sobre o seu potencial final.

O que a aula de canto resolve e o que ela não resolve

Feita a triagem, o mapa fica claro. A aula de canto resolve timbre, afinação, ritmo, ressonância, projeção e ajustes técnicos de toda ordem. O que ela não resolve são os problemas de saúde vocal: dor constante, refluxo e rouquidão persistente precisam de médico antes. E o caso raríssimo de amusia demanda avaliação neuropsicológica especializada.

Fora esses casos específicos, todo mundo pode aprender a cantar bem. Não é questão de ter nascido com talento, de ter a voz do cantor favorito ou de ter crescido em família de músicos. É questão de treino, direcionamento e tempo. Todos podem cantar bem.

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