5 Erros que Cantores Iniciantes (e Não Só Eles) Cometem

Erro 1: improvisar na apresentação o que você não treinou

Você está cantando bem, a música está fluindo, a confiança sobe, e aí vem aquela ideia: vou fazer aquele melisma que eu ouvi no CD, aquele agudo que tentei uma vez em casa, aquela variação de melodia que parece encaixar bem aqui.

O resultado quase sempre é errado. Não porque a ideia seja ruim, mas porque a musculatura não pensa. Ela executa o que foi treinado. Se você nunca praticou aquele movimento com consistência, ele não vai sair correto sob a pressão de uma apresentação.

E o problema vai além da falha técnica. Se o improviso não estava acordado com a banda, a harmonia dos instrumentos pode ir por um caminho diferente do que você tentou fazer, criando um choque sonoro. O resultado é uma apresentação que estava indo bem e que desandou por causa de uma decisão impulsiva.

A regra é simples: no palco, faça o que você treinou. Conforme o seu repertório de técnicas cresce, ele vai junto para o palco. Não leve para o palco o que ainda está sendo construído no ensaio.

Erro 2: priorizar exercícios em vez de cantar

Cantores iniciantes frequentemente caem num padrão de praticar muitos exercícios vocais e cantar pouco. A lógica parece certa: os exercícios vão melhorar a voz, e então você vai cantar melhor. Mas é ao contrário.

Você canta primeiro. Percebe onde estão as dificuldades. Identifica o que a sua voz não consegue fazer ainda. E então, com base nessa dificuldade específica, você busca o exercício que vai corrigir aquele ponto.

Fazer exercícios aleatoriamente, sem saber o que você está tentando corrigir, tem dois problemas. Primeiro, você vai perder tempo com exercícios que não são relevantes para o seu estágio atual. Segundo, você pode fortalecer algo que já está excessivo na sua voz. Por exemplo, se você já tem muito fechamento nas pregas vocais, um exercício que aumenta ainda mais esse fechamento vai criar tensão, não melhoria.

O caminho correto é: cante, identifique a dificuldade, aplique o exercício específico para aquela dificuldade. Sem identificação do problema, o exercício é um tiro no escuro.

Erro 3: achar que o som do retorno é o som que o público ouve

O monitor, seja de chão ou de fone de ouvido, é um instrumento de referência. Ele existe para você saber se está na nota certa e no arranjo certo. Ele não é o som final que chega ao público.

Quando o retorno soa desequilibrado, com a voz muito destacada, os instrumentos fora de proporção e a bateria quase inaudível, isso é normal. É assim que um monitor de referência funciona. O técnico de som, do outro lado, está misturando tudo de forma diferente para que o público ouça um som balanceado.

Cantores que não entendem isso entram em pânico durante a apresentação. Acham que estão soando terrivelmente. Ficam inseguros. E a insegurança compromete a performance. Se o retorno está te dando referência suficiente para manter a nota e o arranjo, ele está cumprindo a função dele. O que chega ao público é outra história, e não é da sua responsabilidade direta.

Erro 4: buscar o exercício perfeito

Não existe um exercício que resolve tudo. Essa ideia vai te manter num loop de pesquisa indefinida, testando exercícios novos todo dia sem aprofundar nenhum deles.

O que existe são exercícios adequados para necessidades específicas, em momentos específicos do desenvolvimento vocal. O que funciona para um cantor no estágio básico pode não ser o mais indicado para alguém em nível intermediário. E o que funciona para corrigir voz soprosa não vai ajudar em nada quem tem dificuldade de acessar agudos.

Exercises são ferramentas de ajuste, não fórmulas universais. A voz é coordenação muscular. Coordenação se treina com movimentos específicos voltados para as necessidades específicas da sua musculatura. Para saber quais exercícios você precisa, você precisa saber o que exatamente na sua voz precisa de atenção. E para saber isso com precisão, você precisa de alguém que ouça a sua voz.

Para quem está tentando organizar o estudo sem cair nessa armadilha, o artigo sobre por que você treina muito e a voz não evolui explica bem essa dinâmica.

Erro 5: não ter um professor

Você pode aprender muita coisa vendo vídeos e lendo artigos. Mas existe uma diferença fundamental entre receber informação e receber acompanhamento.

Quando você estuda sozinho, não tem como saber se o que está fazendo é correto. Você pode estar praticando um erro por semanas e reforçando um padrão que vai precisar ser desconstruído depois. Isso é mais lento do que ir direto ao ponto com alguém que ouve a sua voz e diz o que precisa mudar.

Um professor que te ouve e te dá uma devolutiva individual não é um luxo. É o atalho mais real disponível no desenvolvimento vocal. Isso não significa que você precisa parar tudo e esperar ter professor para avançar. Significa que o professor encurta significativamente o tempo que você levaria sozinho para chegar no mesmo resultado.

Cantores profissionais experientes continuam tendo professores porque o olhar externo percebe coisas que o próprio cantor não enxerga de dentro. Se até quem já sabe precisa disso, imagine quem está começando.

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